Esta noite eu sonhei com a lagoa
A branda lagoa, da minha infância…
Que á volta da minha casa se expandia
Onde eu me banhava, corria, e sorria...
Tirava fora o vestido, e em suas águas eu caia…
Usando só a calcinha, e nada mais…
Vigiava ao redor, se a mãe vinha atrás.

Mergulhava, e nas águas me escondia
Pouco me dava conta; ninguém me via
Não haviam maldosos á solta; na espia…
Nadava feito um patinho, nada temia…
Tudo era paz e harmonia…
Mas só ao entrar em casa, eu já ouvia…
Da mãe a ladainha, a ave-maria.

Os cabelos molhados; logo me denuncia
“Arre, que tu andou na lagoa a se banhar “guria”?...
Na maior desfaçatez, eu mentia...
“Foi sem querer mãe, tropiquei e não vi que caía”
“E tão logo a mãe irritada; dizia”…
Vamos, explica-te porquê tens seco o vestido?…
“Eu de imediato respondia”…

Secou, mãe; com a ventania…
“E onde está a ventania, se está a maior calmaria?”…
Ah mãe; a ventania se foi, mas que havia, havia…
Vá já tomar um banho, e chega de parvoíces…
Logo vinha a “magrinha” que nos braços me acolhia…
E muitas outras vezes, “por destino ou ironia”…
Eu caía; tropicava e não via…

Autora: Pequenina
14/04/10 - 03:20
Música: "O Barquinho"
Na Voz de: FRED "Ribatejano"