Meu lindo e velho relógio
vestido em seu manto preto
quantas horas, tu marcou
sem nunca pedir conserto
passando de mão em mão
de geração á geração.

De prata é o teu coração
em cristal bordado, em cortes
registas com precisão
os nascimentos e as mortes
os bons anos de minha infância
que os guardo na lembrança.

Desejam-te como relíquia
mas para mim não tens preço
não te vendo, e não te dou
fostes do bisavô, do meu avô
que para te salvaguardar
o pai a mim; confiou.

Ah, meu velho relógio
presente no meu nascer, e crescer
e por pouco, me vias morrer...
quando viver, eu não queria
perdi a voz, mas o teu som eu ouvia...
sentia, que a vida de mim fugia…

E ali estavas tu; persistente
tocando alto; inclemente...
que as lágrimas de mim desciam
ah, meu lindo e velho relógio
hoje registas as tristezas, os cansaços...
as desilusões; meus fracassos…


Autora: Pequenina
13/04/10 - 04:30
Música: "Reloj"
Na Voz de: FRED "Ribatejano"