Pedra que sou, rija e frígida
sem luz, sem cor, sem calor, e sem dor
atirada num canto, de um canto qualquer
solta á beira de um rio, na desagua das fontes
uma pedra desgarrada dos montes…
Sou aquela que barra os atalhos
e aos tombos, tornou-se em cascalhos
camuflada e acercada, por moitas de espinhos
uma caverna imóvel, que não sai do lugar
uma pedra no fundo no mar...
Sou pedra sim, sem fé
e sem amor
uma tosca semente, que o mal cultivou
podaram-me a alma, deixaram-me oca e vazia
na existência de um só, sou a noite sombria
abstenho-me em viver na orgia.
Sou pedra,
não choro e não sinto
em verdade sou o que sou; e não minto…
navegante dos mares, em uma selva perdida
a estrela apagada, nas nuvens escondida
sou pedra; sem alma, sem vida…
Autora: Pequenina
17/08/11 - 02:10
Música: "O Pastor"
Na Voz
do FRED "Ribatejano"
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