Olhando para os meus pés
Percebi que estavam abatidos
Perguntei-lhes qual o motivo, a razão
Responderam-me de antemão;
Magoados; de tanto pisar o chão
Invejamos as tuas mãos…

Que usas para acenar
Enlaçam-se ao felicitar
Se dizem abençoadas
Por vezes são apanhadas
Querendo ver no tocar…
Parecem até enxergar.

Percebemos a descriminação
Até mesmo do teu coração…
Se arranjas um namorado
Vem aos pais pedir-lhes á mão
Enquanto que nós os dois
Estamos sempre de intrujão.

Carregamos o teu fardo
Por vezes um tanto pesado
Livramos-te dos perigos
Sem sermos reconhecidos
Tão pouco somos atrevidos
Não tocamos nos proibidos.

Quando nos fazes um agrado
Escolhendo-nos um bom calçado
Tem sempre que se adequar
Com a bolsa que vão usar
E obriga-nos nele a entrar
E assim nos acomodar.

Quanto que “elas” são livres
Vaidosas, faceiras e enfeitadas
Gesticulam, pouco mantém-se caladas
São cortejadas e até beijadas
Enquanto que “nós” os dois...
Somos figuras apagadas.

Autora: Pequenina
25/04/09 - 02:15
Música na Voz do:
Ribatejano