Hoje plantei uma lágrima
No canto esquerdo da casa
Peguei-a na palma da mão
A semente de um mocho botão
Despejada do meu coração.

Achei-a seca e sem vida
Um tanto arcaica, e caída
Opaca e estremecida
Como os anos da minha vida
Tinha o cheiro de partida.

Nasceu coberta de espinho
Procriou, contaminou o cantinho
Queimavam-me feito uma brasa
E a lágrima também chorava
No canto esquerdo da casa.

Mostravam-se cruéis e malvadas
De cores sombrias, frustradas
As roxas, era o meu desgosto
A vermelha da cor do meu sangue
Saltou, ferindo-me o rosto.

As lágrimas negras do luto
Cresceram em forma de um vulto
Entranharam-se em mim, fez feridas
Alastraram-se qual ervas daninhas
Daninhas, mas não fingidas…


Autora: Pequenina
15/11/09 - 23:30
Música "O PASTOR"
Na Voz do:Ribatejano