Sou pacífica, serena e resignada
Não me chateio por pouco; sou ajustada
Vivo a vida de um só, solitária e apartada
Falo com os meus botões, no pino das madrugadas
Da janela avisto o mar, e as suas ondas excitadas
.

Gosto de ouvir boas músicas; se bem cantadas
Sou eclética; vou do Tango ás Lambadas
Sem preconceitos, mas detesto as desgarradas
Adoro este meu silêncio, é bom viver hibernada
Amo a liberdade de pôr os meus pés no chão
Usar roupas singelas, feitas do puro algodão.

De preferência as usadas, limpinhas e bem cheirosas
Não vão bem com a minha pele, as chiques e suntuosas
Detesto andar pintada, prefiro a face lavada
Jóias e pedrarias; por estas não sou tentada
Mesmo tendo que usá-las, para que me vejam formosa
Assim me exige o trabalho, a aparência é valiosa.

Mas quando volto á casa, após o meu dia a dia
Chuto tudo para o alto, me dispo da "fantasia"
Liberto-me com alegria, do tudo que me cobria
Sinto-me bem e a vontade longe da tirania…
E volto a ser eu mesma, livre da hierarquia
Mergulho em meus pensamentos…
E penso em quem eu mais queria…



Autora: Pequenina
18/04/2009 – 01:40
Música na Voz do:
Ribatejano