Como se ave fosse, pus-me a voar
Desgarradas plumas a cobrir-me a pele
Enfraquecendo-me em lentidão.

Molhada pelas chuvas intensas
Aferrada num universo sombrio
Impelida pelo sono, e pelo frio.

Negras são as nuvens que me acercam
O relento, a solidão, as invernadas
As orvalhadas das alvoradas.

A rotineira vida de um errante
Aventureiro itinerante
Decidido a seguir sempre adiante.

Monotonia da noite…
Que em silêncio no meu leito se enleia
Onde sequer um só pássaro gorjeia.

Só as folhas das palmeiras balançam
No visual do meu nostálgico lençol
Já percebo a palidez da luz do sol.

Permito-me em aceitar a ironia
A realidade do meu dia a dia…
Mergulhada numa louca fantasia.

Hoje, a minha alma não quer voar
Quer estar só, secar a plumagem molhada
Limitando-me á janela da sacada.


Autora: Pequenina
03/12/08 - 02:20
Música na Voz do: Ribatejano