Cai a chuva miúda
bem devagarinho
Aglomeram-se nas árvores um bando de passarinhos
É a famosa “garoa” que suave molha a terra
Como o nevoeiro que paira ao pé da serra.
O vento sopra frio
e penetrante
A beira-mar passeia as corajosas gaivotas
Oh Deus, porquê não deste a mim a mesma sorte
De ser uma ave livre e de plumagem forte.
As folhas do jasmim
gotejam na calçada
Qual lágrimas do orvalho a cair na madrugada
Com as suas flores brancas suavemente perfumadas
A natureza poupa-lhes de não ser espatifadas.
Enquanto em silêncio
recolho-me ao abrigo
Tentando adormecer, no entanto eu não consigo
Imploro o amanhecer, que a luz do dia se faça anunciar
Enquanto a fina chuva vai molhando devagar.
Me
desce na garganta um triste lamento
É a frígida solidão congelando-me por
dentro
Minha alma esmiuçada acovarda-se em sofrimento
E a vida continua em seu passo lento.