Gatos pálidos, esfarrapados
Borboletas mortas, espatifadas
Gritos que se fazem em ecos monstruosos
Estridentes e agonizantes, retumbam
Rompendo as portas da caverna da morte…

Lodo, lama, lixos infectadas
Ratos passeiam pelos corredores
A garganta seca e destroçada, sofre
Com a podridão da alma hostilizada e nua
Bactérias vivas, férteis e pungentes…

Proliferam-se, e a largos passos; vão-se
Semeando o medo, o pânico, o terror
Peixes fenecidos flutuando nas lagoas
O fedor propagando-se pelo ar, se expande
Contaminando o espaço em que se habita.

As catástrofes constantes, anunciadas…
Pré-formadas pela ganância dos incompetentes
Avançam sem direção neste universo oco
Agitando as águas pacatas, de um mar contrariado
Tornando-o em lâminas assassinas.

Nas cancelas do mundo, em sua reta final
Onde o teto arde, qual fornalhas incandescentes
Deixando um rastro sangrento nas crateras abjectas
Das injustiças mórbidas, sedentárias e submersas
De um triste mundo, cruel e assustador.


Autora: Pequenina
24/11/08 - 06:20
Música na Voz do: Ribatejano