Nos fundos de um casarão
Nas terras do meu rincão
Mora uma velha figueira
Conta a lenda o seu mistério
Que ali há um cemitério...

E o povo crê, e a leva a sério
No silêncio das noites calmas
Quando a lua cheia desponta
Ela alegra-se, e até canta
Despertando os animais...

Que buscam o agasalho
Junto a sombra dos seus galhos
Canta o que lhe apraz
Em ativos madrigais alivia os seus ais
Sorvendo as gotas do orvalho...

Beija o ar da madrugada, e alonga-se
Volta a viver, viçosa e omnipotente…
Mas quando vem as tempestades
Ela geme e sofre, as dores dos “inocentes”
“Assim o é, na crendice dessas gentes”...

Curva-se humildemente, e chora
E os seus braços se pendem para o chão
Debulhando as suas folhas verdejantes
Deixando-a nua, triste e achincalhada
Como no Outono, a estação das desfolhadas…

"Assim sou, e os meus Outonos permanente
Meros retalhos de uma alma reticente…
Triste, assustador, e contundente"…



Autora: Pequenina
31/03/09 - 02:40
Música na Voz do Fred "Ribatejano"