Vou, pouco de ti se vai comigo
Parcas lembranças, curtos momentos
Devaneios dos meus tolos sentimentos
Suavisam a minha dor, os meus lamentos
Os desenganos, os desacertos, meu castigo
Rompeu-se o elo, desgarrou-se do umbigo.

Vou, porquê cansei-me de chorar
Me consumir com a ferrugem a arraigar
O coração já não mais há, foi triturado
Aos mil pedaços, hoje é poeira do passado
Replantar, não! Sei que não mais germinará
Nesse torrão o campo é duro, a terra é má.

Não existe sol, nem água há para o irrigar
Só um vulcão a arremessar as suas lavas
E com o vento, faz-se em cinzas as palavras
Destruindo o que eu pensei em cultivar
Viver, plantar, regar, colher, multiplicar…
Todas as flores, que a vida tinha a dar.

Foi só um sonho, nada havia de concreto
Tornou-se oco, irreal, e sem projecto
A nostalgia é o meu doce predilecto
Vou degustando, oculta neste frio tecto
E se a saudade vem á janela do meu quarto
Deixo-a entrar, e vou rever o teu retrato.



Autora: Pequenina
28/05/08-04:10hs
Música na Voz do: Ribatejano