Rabisquei,
contei a minha vida
Expus os meus sentimentos
As carências, e os sofrimentos
Vasculhei os meus velhos vestidos
No baú dos sonhos perdidos
Sem cores e desmerecidos.
Rabisquei
a desilusão
Os meus medos, e a solidão
Os meus passos e o descompasso
As tuas mãos e os teus braços
Meus tropeços e os desenganos
As frustrações e os meus anos.
Rabisquei
boas lembranças
De quando ainda eu criança
Me levaram a flutuar
Nas cordas do meu balanço
Nas algazarras dos gansos
E choro ao me recordar.
Rabisquei
canteiros em flor
O bom vinho, o meu fulgor
O meu mar, e um grande amor
Que a sorte pré-destinou
E não se deu por vencida
Pôs-me num canto esquecida.
E
nas noites mal dormidas
Sinto-me um tanto perdida
E nada mais me importa
Engulo enfim o meu queixume
Como uma faca sem gume
Que machuca mas não corta.
Rabisquei
poucas alegrias
Vividas em raros momentos
Do tudo o que me restou
São páginas de sofrimentos
Não tendo o que rabiscar
Rabisco versos ao vento...
Autora: Pequenina
03/10/08
- 00:10
Música
na Voz do: Ribatejano