Esta
noite, sinto-me só e alquebrada
São utopias, angústias da madrugada
Sinto-me triste em solidão, angustiada
Como bem sente uma ave engaiolada
Necessitada de calor e de afecto
Aprisionada dentro do meu próprio teto
Impotente, como vive um passarinho
Sem as suas asas a procura do seu ninho
Quisera ser uma ave de rapina
Mais astuta, mais sagaz, e mais felina
Com permissão de ser uma ave peregrina
Voaria além-mar, sem ter fronteiras
Livraria a minha alma das trincheiras
Voando o alto das montanhas, ás cachoeiras
Pernoitaria por entre as sombras das palmeiras
Que bem abriga contra o vento e a neblina
Em suas folhas rabiscaria a minha sina
Soltava-a ao vento a voar no infinito
Esperançosa de não mais ouvir seu grito
Esta noite, sinto-me só e alquebrada
É o silêncio, a solidão da madrugada
A nostalgia que me invade de assalto
É a roda-viva que me chama para o asfalto
São os meus anseios á tocar seu ponto alto
Esta noite, eu daria tudo para sair deste torpor
Ser a madeira, nas mãos de um lenhador
Que destrancasse um coração prisioneiro
Mesmo que fosse um simples e tolo candongueiro.
Esta noite, sinto-me só e alquebrada...
São utopias, angústias da madrugada…

Autora: Pequenina
10/05/08-01:10hs
Música
na Voz do: Ribatejano
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