Hoje eu decidi me distrair
Caminhar pela chuva, e sair por aí
Que pintem os raios, que me julguem catraia
Quero brincar de sereia, na areia da praia
Deixar a janela, plantar bananeira, e pular
Fugir das ondas, e das águas do mar
Hoje eu estou com o espírito de gato
De sangue vadio, fogoso e nefasto
Bem libertino, sem botas ou sapatos
Que fala e mia, um surrado dialecto
Insolente, atrevido, provocante, e esperto
Correr pelos tetos, e nos telhados de vidro
Escorregar nos beirais esfregando o umbigo
Apetece-me em arriscar-me ao perigo
Viajar na “maionese” sem usar passaporte
Não importa que as “damas” me jurem de
morte
Quero voar nas asas do vento, sem rumo e sem norte
Cruzar a Baía de Guanabara, sobre o Cristo Redentor
Romper horizontes ir além, da linha do Equador
Ah! Gostaria de aterrissar na careca do vovô
Pensando bem! Eu poderia ser uma gansa
Bom proveito teria, nesta minha andança
Uma gansa dengosa, faceira e manhosa
De plumas vermelhas, macia e cheirosa
Frívola e sedutora, indecorosamente fogosa
E com todos os espinhos que tem uma rosa.
"Perdoe-me amigo(a), o tema da prosa
Quando o sono não vem, qualquer coisa é plausível
Arrancar os cabelos, imaginar o impossível".
Autora:
Pequenina
30/06/2008
- 03:20 hs
Música na Voz
do: Ribatejano
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