No jardim do meu pecado
Num cantinho em isolado
Á sombra e sem claridade
Não sei se foi por maldade
Ou falta de humanidade
Nasceu a flor da saudade.

Eu nunca a fertilizei
Mesmo porquê não a plantei
Achei que não vingaria
E para a minha agonia
Surpreendia-me a cada dia
Vendo que muito crescia.

Grandes botões nasciam
Ao passo que floresciam
Meus olhos se entristeciam
Alargava-se, e se distendia
E aos poucos me consumia
E a minha alma sofria.

Achei por bem em escavar
Por as suas raízes no ar
Para que viesse a murchar
E quanto mais eu a escavava
Mais viçosa a flor brotava
E a minha dor aumentava.

Tornou-se erva daninha
Que aos poucos me definha
Não tenho em como dar fim
Arraigada está em mim
Fez do meu peito um canteiro
E dorme no meu travesseiro.



Autora: Pequenina
30/08/08 - 16:50 h
Música na Voz do: Ribatejano