Pedras
que vivem nos rios
Á sombra, nos matagais
Pedras que moram entre espinhos
E não se ouve os seus ais.
Pedras que barram
os atalhos
Obstáculos indesejados
São pedras do meu caminho
Que me atiram para outros lados.
Pedras
desgarradas, sozinhas
Que aos tombos ali chegou
São frutos de uma enxurrada
Ou quem sabe alguém as chutou.
Falam
que muitas se encontram
Não creio, são meras crendices
São peças deste planeta
Dos montes, vales, e planícies.
Pedras,
não cantam e não choram
Não amam, e não fazem amor
São frígidas, estéreis, e vazias
Não sangram, e nem sentem dor.
Ser
pedra, é ser um estrepe
Que nem o tempo a desfaz
Sou pedra, sou alma sem vida
Aterrada a beira de um cais.

Autora:
Pequenina
29/04/08-02:45hs
Música
na Voz do: Ribatejano