Certa
noite olhando o céu, vi uma estrela
Eu estava triste, e a solidão me torturava
Pus-me a segui-la pelas noites, e lá estava
E quando aflita eu por ela procurava
Pensei comigo; o que fará por mim uma estrela?
Se não me ouve, e por certo nem me vê...
Numa das noites em que eu chorava o meu viver
Ela olhou-me, e perguntou-me o porquê
De tantas lágrimas, tanta dor, porquê o pranto
E assustada, quase me pus a correr
Ela me disse; não te vás, conte-me tudo
Diga o que passa, talvez eu possa resolver
Assim parei, e vi que estava mais brilhante
Ante aos meus olhos, ofuscava cintilante
E resolvi contar-lhe toda a minha vida
Falei das mágoas, e o quanto sou sofrida
E que me sinto um tanto quanto enfraquecida
E confessei que eu só queria ser feliz
Ela ouviu-me, e olhou-me comovida
E a seguir, resolveu dar-me um conselho
Disse; não chores, não te torne uma vencida
Ainda há tempo, dê um rumo a tua vida
Alguém um dia há de curar esta ferida
Agradeci, e fui saindo eminente
Ela voltou-se, e me falou serenamente
Venha outras vezes procurar-me, aqui estou
Não te amofines, esqueça tudo o que passou
Não mais és só, pois agora tens a mim
Nunca mais chores, pois não quero ver-te assim
Disse; eu me vou, volto agora ao meu abrigo
E acrescentou; foi muito bom estar consigo
Estejas certa que em mim tens um ombro amigo
E sempre as noites, eu me punha a sua frente
Por alguns anos eu estive mais contente
Mas com o tempo, ela tornou-se um tanto ausente
Olhava o céu, e muito pouco eu a avistava
Quase apagada, a sua luz já não brilhava
Sua voz meiga muito pouco, eu a ouvia...
E algumas vezes ao me ver se escondia
Tento em vão a afastar da minha mente
Hoje me sinto triste e só, muito carente
Sem a minha estrela que se foi para o infinito
Não atendendo os meus apelos, o meu grito…
Autora: Pequenina
28/03/08-02:10hs
Música
na Voz do: Ribatejano
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