Um grito,
um eco perdido
No espaço, voando ao vento
Nas trevas, em desalento
Um gemido magoado, um lamento
Ouviram-no, ou não?
Por certo ninguém percebeu
E só quem o ouvira, foi eu
O pavor tomou conta de mim
Um som infernal, e ruim
Ribombava com o tamborim
Chorei, e ajoelhei-me no chão
Roguei aos céus, compaixão
Que poupasse os meus poucos anos
Dos males, e dos desenganos
Me arrastei e implorei, foi em vão
Com as batidas, o meu coração
Retumbava aos meus ouvidos
Aqueles loucos estampidos
De um inimigo mensageiro
Que antecipa ao Fevereiro
Trazendo a escola ao terreiro
Para o seu samba ensaiar
É ela a “bateria” que insiste
A lembrar-me que sou triste
E não pretende calar
Bate forte no meu peito
Sufoca a minha alma em dor
O desancar do tambor
Desagua em minhas entranhas
Escorrem em gotas sangrentas
Lágrimas rubras, e cinzentas
Ruinosas,
asquerosas, pestilentas
Macularam a flor que murchou
Num grito que se calou.
Autora: Pequenina
31/01/08-02:10hs
Música
na Voz do: Ribatejano
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