Na
penumbra da noite em solidão
O pensamento explode em turbilhão
Sinto-me só, como um barco naufragado
Enquanto os gatos vadiam no telhado
Alheios a este mundo depredado
Da janela avisto o mar, excitado
A expelir o seu cheiro forte e contundente
Em marejadas num sobe e desce desvairado
Estendendo na praia o seu lençol rendado
São as ondas que a beira-mar; passeia
Avançam livres, a lamber a areia
Que ávida entrega-se plena e com graça
E num secreto e sinuoso orgasmo, arregaça
Meio aos gemidos arrebenta e despedaça
E a branca espuma, húmida e cintilante
Sacia a sede de sua doce amante
Olho o céu e vejo vultos de fumaça
São densas nuvens conduzidas pelo vento
Aterrorizando aos que dormem ao relento
Nos frios bancos, de um jardim silencioso
Onde as aves aglutinam-se em repouso
Nos miúdos arbustos desfolhados pelo Outono
Dormem no infortúnio, o seu sono…
Autora:
Pequenina
02/05/08-00:45hs
Música
na Voz do: Ribatejano
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