O banco, a grama, a lama, o arvoredo
A velha estrada que conduz ao nada
O vazio, o silêncio mórbido das madrugadas
A chuva o vento, os trovões, as enxurradas
Os blocos de concreto frios, as invernadas
O desamparo da alma, o desencanto pela vida
O eco, o afugentamento, o grito penetrante
Os pés afincados nas crateras dos queixumes
O amargor da boca, a dependência, o estrume
A tristeza do abandono, o sono mal dormido
Os lábios ressequidos, a sede a miséria, a fome insana
As portas que se cerram, a loucura, o abismo
Pássaros imigrantes, num céu aberto e corrompido
A fé esmorecida, o caos a imundície, a derrocada
A lacuna das feridas, a repulsa, a solidão a desonra
A falta de afeto, o desamor, a ignorância
O parto indesejado, inesperado e mal concebido
O desapreço que constrange, e os arrasta pelo chão
A falta do alimento, o desmazelo, o pão
A lágrima gotejante, o sufocado coração
A presença ignorada, a reclusão, a escuridão
O fantasma do medo, a desigualdade, o mundo cão
O vagar perdido sem norte, e sem sorte
A carência, a míngua, o infortúnio, a morte...


Autora: Pequenina
17/08/08 - 20:40
Música na Voz do: Ribatejano