Veja lá, que não são horas
Que me venhas visitar
E não quero ouvir graçolas
Nem tente em justificar.

Saibas tu, meu nobre moço
Pouco tenho a te ouvir
Sem querer ser indelicada
Sugiro, que vá dormir.

Se eu pintasse um desejo
No lençol das águas do mar
Pintaria uma canoa furada
E te punha a navegar.

Se acaso te escondesses
Na barra da minha saia
Eu a arrancava do corpo
E afogava-te na praia.

Se a areia fosse grãos de milho
Nascidos nas grandes rocas
Comias tu os "sabugos"
E os burros comiam pipocas.

Se eu fosse livre e solta
Como o vento, como o ar
Te poria uma "cangalha"
E mandava-te ir pastar.

Se a minha alma morena
Não comportasse os teus gritos
Despachava-te para o espaço
Não teríamos mais conflitos.

Não sei se és galo ou galinha
Se nem sempre andas na linha
Pois que vá te empoleirar
No armário da vizinha.

Se eu te encontrasse num jogo
Nas cartas de um surrado baralho
Descartava-te de bom gosto
Livrando-me deste encalho.


Autora: Pequenina
21/09/08 - 23:40
Música na Voz do: Ribatejano