Ingratos
sim, são felinos…
Que tendem em ser garanhão
Damos-lhes amor e ternura
Enchemos-lhes de atenção
E se a guarda lhos abrimos
Dão-nos as costas e se vão…
Atiram-se
pelas ruelas
Onde de fome padecem
O frio arranca-lhes o couro
As imundícies os apodrecem
Os parasíticos os atacam
Sugam-lhes o sangue e o enfraquecem.
Vagueiam
de ponto a ponta
Atrás duma, e doutras tantas
Arrastam-se em telhados molhados
Afrontam as chuvas e o vento
Arruínam-se e se depauperam
Nas noites frias ao relento.
Impotentes
e sem energias
Cansados em fim de carreira
Já são trapos amarfanhados
Chamuscados, sem quem os queira
Carentes de amor e afectos
Dão seus pescoços á coleira.
É
quando a casa lhes falta
Tornando-os dóceis e gentis
Não sobem mais nos telhados
Já não são mais tão viris
Não dão mais seus duplos saltos
Já não caçam colibris.

Autora:
Pequenina
18/06/08-02:10hs
Música na Voz
do: Ribatejano