A
chuva cai, e o vento começa a açoitar
O cheiro das folhas secas, já paira em pleno ar
É o Outono sombrio, que as começa a desfolhar
Rouba as cores do verão, fazendo-as oxidar
Rodopiam com a ventania, e logo põe-se a voar
Soltas e desgovernadas, nada as poderá travar
Ceifadas de suas raízes, sem ter onde se agarrar
Acabam na fina areia, caídas a beira-mar
Rolam e lambuzam-se no véu de espuma
Das altas ondas do mar, que as levam a navegar
Flutuam sobre as “marolas” e se vão a balançar
Aos tombos e enfraquecidas, começam a desintegrar
E assim dão adeus a vida, e logo irão se afundar
No profundo do oceano, no reino de “Iemanjá”
No seio da natureza, em algas vão se tornar
É o Outono da vida, em sua essência sombria
Voam folhas ressequidas, em minha alma vazia
Abrigam-se junto ao meu peito, o medo e a melancolia
Tento em vão me embriagar, num rio de nostalgia
Esta noite estou mais triste, e não sei qual a razão
Vidas viradas ao contrário, mortas em depredação
Com o vento do Outono, vão-se as cores do verão
Sombras da minha existência, fantasmas da solidão
Nas desfolhadas do Outono, onde as folhas vão ao chão
Voo sem rumo no tempo, perdida na contra mão.
Autora: Pequenina
17/04/08-02:05hs
Música
na Voz do: Ribatejano
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