Esperei por ti Anjo, até o amanhecer
E ali fiquei, a ver o sol desvanecer
Ele se pôs, se escondeu e não chegaste
Caiu a noite e eu me vi sozinha, à parte
Passei as horas, longas horas ao relento
Desolada, atirada ao esquecimento
Estive ali Anjo, dias e noites sem dormir
A meditar no que passou, e no que há de vir
Contei estrelas, que no céu se apagavam
Fui anotando, e muitas se multiplicavam
Cada uma delas, era o fim de uma tarde
Um somatório, do quanto a vida é covarde
Te esperei Anjo, até o cansaço me vencer
Analisando o que havia de fazer
Limitar o meu sonho, destruir, ou confinar…
E conclui, que o melhor é esquecer
Mudar a vida, sem angústias, e sem sofrer
Usar a jóia que guardei, e pouco usei
Resgatar o tempo, que tão pouco aproveitei
Pôr na gaveta os meus anseios, enfim lacrar
Tirar as chaves e atirá-las em além mar
Onde as naves não se atrevem em navegar
Com a certeza que ninguém há de encontrar
Desgarrar-me do parapeito da enseada
Mudar o rumo desta longa caminhada
Vencer o medo, e pôr o pé na estrada.



Autora: Pequenina
14/03/08-02:10hs
Música na Voz do: Ribatejano