Da garganta, o grunhido
Ferindo a alma e o ouvido
Um berro estúpido, incontido
O uivar de um animal ferido.
Bom
seria que calasse
E dentro do peito ficasse
E sem alarido, acalmasse
E o meu sono se achegasse.
Na vidraça da janela
A chuva fina tinia
Mal avistava-se a esquina
Tão forte era a neblina.
Imaginei-me uma horta
De couve, á beira da porta
Prontinha para o consumo
Num caldo verde, ou num sumo.
Por entre os lençóis
de linho
Formou-se um redemoinho
Era o meu corpo abrasado
Humedecido e suado.
Contorcia-me qual serpente
Rastejava-me impaciente
Por pouco mostrava os dentes
Num bote inconsequente.
Tentei severa em afastar
Este insano pensamento
Mas o meu grito sedento
Uivava mais que o vento.
Autora: Pequenina
20/08/08
- 02:20
Música
na Voz do: Ribatejano