Hoje chove e a noite
esfria
Os trovões gritam em sintonia…
Com o vento forte, que zune e assobia
Aves acolhem-se entre os galhos do arvoredo
Em busca de proteção, ou por medo.
Sinto o coração a protestar
Perdido no labirinto dos temores
Naufragado no silêncio das lembranças
Lembranças, que alimentou minha esperança
E hoje é a saudade, a vingança…
Saudades da terra molhada
Do cantar do galo, o trinar da passarada
Do beber da fonte, mesmo sem sede
Da liberdade em dormir numa rede
Saudades da vida pacata…
Do verde dos campos, o cheiro da mata
Dos amigos sinceros, com os quais convivi
E nas veredas da vida, nos desvios os perdi
Por inconsequência, ou imaturidade assim agi…
Afastei-me do mundo dos vivos.
Estagnei o meu viver, virei arquivo
De um empoeirado museu, de amarelados livros
Entre traças e teias, de um quarto escuro
Confinada na prateleira, acercada de um muro
Uma alma vazia, num porto inseguro…
Autora: Pequenina
Em
18/09/2008 – 02:40
Música
na Voz do: Ribatejano