Esta noite volta a chover
Pingos fartos e barulhentos
Num toque-toque a bater cá dentro
Despertando um afogueado sentimento
A saudade grita, fazendo um alarido
Atraiçoando os meus lábios ressequidos
Pondo a baila os meus desejos embutidos
Formigam em combustão; atrevidos
Entro em meu quarto vazio
Fecho as janelas sombrias; receosa
Desço as cortinas, e a solidão me invade
Olho ao meu redor e sinto-me covarde
Desafiando o meu medo incrustado…
Desligo as luzes, olho o telhado
Um passo aqui, outro acolá
Meio perdida, procurando me encontrar
Abalroo nas paredes frias, e sombrias
Húmidas, pelo desalento da vida
Sinto frio, sinto-me oca e isolada
Sento-me á cama, e me vejo derrotada
Envolvida numa falsa quimera
Sinto a ausência da primavera
Do perfume das flores do campo...
Das borboletas, dos pirilampos
Da passarada a chilrear nos arvoredos
Da ausência de um sorriso afetuoso
Sinto a ausência da vida; enfim…
Sinto a ausência de mim.



Autora: Pequenina
23/04/08-03:10hs
Música na Voz do: Ribatejano