Curtido ao sol das salinas
Filho de um escravo africano
Homem de pensamento vivo
De sua terra um nativo
Seu nome; Gabriel Joaquim
Com o sobrenome de Santos.

Um Santos, entre outro tantos
Com alma de sonhador
Nunca pode ser doutor
Seu pai criado em senzala
Sua mãe índia do mato
Tornou-o um homem de fato.

De pobreza inteligente
Surpreendeu muita gente
De um negro trabalhador
A um escultor altruísta
Nasceu com dotes de artista
Que cedo se revelou.

Um arquiteto de valor
Com resto de obras, e caquinhos
Arquitetava o seu ninho
Onde pudesse sonhar
Sonhar e poder criar
Nas horas do descansar.

Construia com o coração
Com muito amor e emoção
E o lixo sem apreciação
Já nas mãos do artesão
Virava arte, em grandeza
Rara, e de admirável beleza.

É assim a Casa da Flor
De caquinhos, e muito amor
Das mãos de um inculto sujeito
Que alvo do pré-conceito
Da ignorância de um povo
Sem saber que nele havia...

Um gênio que se atrevia
Dar vida, a quinquilharias...


Autora: Pequenina

24/05/08 - 02:05hs


Gabriel Joaquim dos Santos (Seu Gabriel)
(1892-1985)

Visite a Casa da Flor em São Pedro de Aldeia - RJ
Estrada dos Passageiros Nº 232
Parque do Estoril, antigo Bairro do Vinhateiro