Mar alto, ondas gigantes e exaltadas
O vento forte tornam-nas mais agitadas
Levantando a areia fina, que esvoaçando cai
Qual nuvens baixas, a rastejar se vai.
Abaixei-me
e pus á cabeça sobre os joelhos...
Tentando em vão me proteger dos seus açoites
A areia e o vento confrontavam-se num duelo de titãs
Espectáculo da natureza em suas sombrias manhãs.
Frias como
as manhãs dos Outonos o são
Eu avistava aquela beleza em amplidão
Senti-me só e isolada, como se fosse numa ilha
Olhos ardentes lacrimejavam em combustão.
Prossegui
percorrendo a orla, fascinada
Já bem distante, avistei uma enseada
E as gaivotas a mergulharem destemidas
Seu ponto alto, o sustento pela vida.
Cansei-me
e, resolvi dar meia-volta
Enfrentar mais uma vez a tempestade, em sua revolta
Regressei pelo caminho em que deixei as minhas pegadas
Nada perdi, nada encontrei, nada do nada.
E
vi que esta caminhada inútil, não me levara
a lugar nenhum
Eu estava só, perdida no deserto de minha alma peregrina
Onde a areia, o vento e a solidão...
Habitam este meu mundo, cruel e enganador.

Autora:
Pequenina
12/06/08-00:20hs
Música
na Voz do: Ribatejano