Altas horas da noite, uma forte chuva caía
Torrente e ruidosa, que pelo beiral descia
Queria dormir, descansar, porém não conseguia
Andava daqui p’ra acolá; valha-me Deus, que agonia
Ao meu lado uma sombra, traiçoeira me seguia
Apoiava-se ao meu ombro, e a minh’alma possuía
E a tirana solidão, dando as mãos á nostalgia
Os ponteiros do relógio lentamente se movia
A cada hora, a cada minuto, o cansaço me vencia
Faltava-me a força, esgotara-se a minha energia
Resolvi ir-me deitar, com os pardais em sinfonia
Adormeci com o tilintar da chuva, e o uivar da ventania
Pus-me a sonhar o meu sonho, o sonho que eu queria
Dentro do meu devaneio, o inusitado acontecia
Esvoaçava-se pelo ar, cheia de encanto e magia
Linda colcha de retalhos, que solta ao vento tremia
Por trás desta linda colcha, um Anjo me aparecia
Descendo por entre as nuvens, as asas a mim estendia
Trazia em seus lábios quentes, um sorriso de alegria
Ocultei-me em suas plumas, aos olhos de quem me via
Abriguei-me contra a chuva, que aos poucos esvaecia
Despertando-me para o meu mundo, real e sem fantasia
Dei adeus ao travesseiro, desejando-lhe um bom dia…
Autora:
Pequenina
28/10/2007-18:25hs
Música
na Voz do: Ribatejano
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