Quanta tristeza neste olhar ausente
Que se retrai na indiferença d'alma
Quisera eu galgar em amplitude
Em meus anseios, apressar o passo
Sugar da vida, o tudo que me resta
Colher os grãos da minha juventude
Que se extingui em meu seio inerte
Absorvendo-me, sem que eu me encontre
Ao soluçar me perco lastimosa
Na languidez do mundo que me acerca
Sinto que a vida aos poucos me renega
Tento detê-la, mas nunca se entrega
Ao ver passar por mim as primaveras
Na inquietude das minhas quimeras
O desabrochar da flor em seu rebento
Cerro meus olhos em busca do alento
Ouço o gorjeio das aves, no arvoredo
Pelas manhãs, vaie-se o sono, vem o medo
Vejo-te assim isolado em seus grilhões
Engaiolado, mantêm-se em teu silêncio
Na grande roda que te prende ao tempo
Quanta amargura nesse olhar sofrido
Quanta distância nesse olhar perdido.


Autora: Pequenina
03/09/07-17:35hs

Música na Voz do: Ribatejano