Ah, se eu pudesse gritar, soltar a voz
Gritar ao mundo, aos quatro ventos
Sem repressão, estilhaçar o espelho
Despir meus sentimentos, e o que penso
Desatar minha alma presa, injustiçada
Partida ao meio; metade eu, metade nada...
Uma é vazia, e a outra morre sufocada
Não sei qual delas é a mais desventurada
Uma se ilude, e a outra vive enganada
Sou parte nua, da metade que me engana
Cobre-me a pele, este mal que se profana
Horas percebo como a vida é insana
Ah, se eu pudesse fazer voar meus pensamentos
O soltaria em pleno ar, aos quatro ventos
Toda a dor, o meu segredo, a tirania...
Desta metade, que me açoita noite e dia
Por certo o mundo abismado pararia...
Ante a um céu de estrelas roxas, imaginárias
Um sol poente declinando a claridade
Porque ela, a outra metade é covarde
E me obriga a viver em igualdade.


Autora: Pequenina
23/05/07-00:45
Música na Voz do: Ribatejano