Sopra
o vento nos murais estremecidos
Arde em chamas a terra árida em luto
Sinto-me só, num deserto que me seca
Aos urros, as minhas forças vão ao chão
Junto aos meus pés, desfaz-se toda a ilusão
As pernas tremem, o negro manto cai
Olho pro céu, e vejo que a vida se esvai
Voa os meus sonhos, faz-se fumaça
O sol aparta-se da terra e despedaça
Rompendo o elo, entre uma tela e uma taça
Lágrimas vertem no silêncio gélido da
noite
Atingem o alvo da minha fragilidade
Sinto-me cega, não enxergo a realidade
Rondam-me luzes, no entanto não as vejo
A angústia vai de contra ao meu desejo
Covarde vida, que aos poucos se declina
Devo aceita-la e abraçá-la, é minha sina
Não há escolha, é o que vida me destina
Reta final dos murais estremecidos
Curvo-me a sorte, solto-me ao vento
Voando
alto, nas ondas do pensamento
Na esperança de alcançar o firmamento.
Autora:
Pequenina
01/04/07-03:10hs
Música
na Voz do: Ribatejano
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