Fui um veleiro em tuas mãos, meu capitão
Percorremos oceanos, içamos velas, navegamos
Vencemos ondas, altas vagas, e os desenganos
Em mar aberto edificamos os nossos planos
Sempre a bombordo, sem temor a te seguir
Fui teu farol, tua lua cheia, o teu porvir
Fui tua bússola a te guiar ao paradeiro
Entre as manobras também fui seu timoneiro
No por do sol, no revoar da passarada
Nas altas ondas, nos rochedos, na enseada
Nas tempestades, nos trovões da madrugada
Era tão fácil ser feliz, se naufragada
Doce é morrer, nas águas que me viu crescer
Me aconselhou, e embalou o meu viver
O meu castelo, o meu reino, o meu sonho
Que se arruinou num vendaval forte e medonho
Hoje ancorado num porto triste, enfadonho
Num estaleiro, espatifado se desfaz
Corroído pela maresia de um cais
Rodeado, por esqueletos navais.


Autora: Pequenina
04/11/07-03:15hs

Música na Voz do: Ribatejano