Distraída luz que se perdeu
No espaço de minha alma inabitada
À sombra de um rochedo, submerso
Num abismo de solidão, perene
Frio vento, que ao soprar solidifica
Formam geleiras no oceano em que habito
São penedos de dor, é o grito
Deste mundo poluído, e aflito
Pior que a escuridão, nada haverá
Que se esparge pela a noite afora
Onde os olhos d’alma sentem, e chora
Num ocioso negrume que apavora
Sombria luz que se abrigou em mim
No interior de um coração amargurado
No beijo cego n’uma boca muda
Do desejo de amar sem restrição
Da metade submersa, que se apressa
Em esfarrapar o peito, a obsessão
Em sentir sensações completas
Longe da liberdade acorrentada
Sufocada, numa angústia viciada.


Autora: Pequenina
20/09/07-02:20
Música na Voz do: Ribatejano