Dentro
de mim há fantasmas
Horrendos, causam-me espantos
Um ou dois, ou outros tantos
Turbam os meus pensamentos
Assustando o meu silêncio
São almas que andam a solta
Uma espingarda que atira
Sem objetivos, sem mira
Me agridem, com sua ira
Não tem nomes, não tem raça
Vivem a vida por pirraça
Juntam-se ao banco da praça
Seu rincão um pobre canto
O amor, meu desencanto
Meu rosto, banham com o pranto
Enxugam em seu negro manto
Acendo dois, três, cigarros
E olho as ondas a rolar
Se a dor me vai sufocar
Observo a fumaça no ar
Sou frágil por natureza
Como a espuma do mar
Debato-me na branca areia
Começo a me desmanchar
Ali, me perco e agonizo
Sem ter em quem me apegar
Não vejo o chão onde piso
Caminho ao léu sem parar
Acendo dois, três, cigarros
E espero a noite passar
O vento sopra, a areia voa...
Começam a me enxovalhar
Acendo mais dois, três, cigarros
E abraço a fumaça no ar...
Autora:
Pequenina
23/04/07-03:10hs
Música
na Voz do: Ribatejano
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