Caminho ao teu lado, ocultamente
Mesmo que me sintas ausente; estou
Em memória tens a mim, sou o teu passado
Que te prende, e me arrasta ao teu presente
Se o destino mudar o rumo da vida, não desanime; prossiga
Se o cansaço impedir-te de correr; caminhe
Eu hei de estar sempre ao teu lado, imersa
Mesmo que o mundo venha a arder em chamas
E que eu venha a me perder num deserto escurecido
Veja por mim, pois já perdi a íris
Escaldaram-se com o calor do sol abrasador
Já não há lágrimas, a dar vazão ao pranto
Nem um bálsamo que me alivie a dor
Se vires lá no céu uma luz pálida
Não te entristeça, deixe-a repousar
Falta-lhe o brilho, desbotou a cor
Não há fulgor, já que a estrela se apagou
Perdeu o seu esplendor no decorrer, inglória
Em seus rabiscos inacabados, está descrito a sua história
Faça a leitura, vire a página e feche o livro
Ponha-o na prateleira do sótão, e esqueça-o...
Tranque a porta, apague as luzes, atire fora as chaves
Logo será pó, o tempo a tudo apaga e consome
Não o lamente, enfim descansa e dorme...


Autora: Pequenina
17/01/08-01:40hs

Música na Voz do: Ribatejano