É
o rio, a embalar-se em seu próprio leito
Rola, e alaga-se sobre as pedras esguias
A margem os manguezais, que dele se sacia
Recebem o frescor de suas águas frias.
Deleita-se em seus braços,
segue o seu destino
Na impetuosa correnteza, que lhes lambe o dorso
Escorrega em cataratas rígidas e trepidantes
Aos tombos, arrebatado desce aos turbilhões
Corre ao encontro do eterno amante.
Que o recebe farto, e abraçando-o
entrega-se
Amam-se fogosos, e disparatados excitam-se
Num oceano infindo se acoitam, e se completam
Alargam-se e devoram-se, dentro de si mesmos.
Multiplicando a vida de seus ancestrais
Tornam-se unos, num amor inundável
O velho mar, e o velho rio estão em paz
Estarão juntos, entre algas e corais
Traz na lembrança os trajetos, os manguezais.
Nos tons
do alvorecer, na ternura das manhãs
Em silêncio adormecem, em madrigais
Escutando na mudez de seu sentir amante
E nem as cheias, os apartarão.

Autora: Pequenina
13/01/2008–
00:10h
Música na Voz do: Ribatejano