São queixumes pungentes
De um coração desconsolado
Uma nova experiência pressentida
A expectativa, o pânico, a incerteza
O desconhecido que surge e assusta
Dificultando os meus planos
Atirando-me nas barreiras estreitadas
Onde o perigo me espreita
Entre palhas e pedras, encobre-se
No silêncio da noite, na chuva que cai
As corujas chilreiam, e voam sem rumo
Os gatos rolam no telhado molhado
Ouço-os a choramingar, de prazer ou de dor
Olho pela janela, e me sinto tão só
As vidraças embaçadas dificultam-me a visão
O medo ressurge, violento, insaciável
Sinto falta de afeto, sinto falta de colo
Penso no pai, penso na mãe, e me sinto coitada
Creio que ela ainda não adormeceu...
Estará sentada ao pé da cama, a desfiar o rosário
A rezar por mim, e por todos os seus
Como em todas as noites, ensonada dormita
E recomeça a reza por algumas dezenas de vezes
Perde-se nas contas das Ave Marias, e dos Pais Nossos
A ausência do sono me abrasa os olhos
Sinto o cheiro das folhagens gotejantes
Mostrando-me passo a passo, o avesso do acaso
Do meu destino traçado, do principio ao fim
Que a vida covardemente, impingiu-o a mim.
Autora:
Pequenina
18/11/2007-02:10hs
Música
na Voz do: Ribatejano
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