Vesti a minh’alma tonta, com as cores do arco-íris
Tentei dar-lhe um realce, reativando os seus corais
Algo que divergisse com o clamor dos meus ais
Queria-a um tanto mais viva, mais astuta e inteligente
Um pouquinho mais brilhante, menos tola, e inocente
Que percebesse no ato, a realidade eminente
Tentei então enfeita-la, com lantejoulas e purpurina
Coloquei rendas de ouro, n'um traje de seda fina
Pus o dourado do sol, junto ao prata do luar
Confesso não se ajustou, minh’alma pôs-se a chorar
Coloquei o azul do céu, e o verde do meu mar
Ninguém lhes deu atenção, ficou algo a desejar
Não satisfeita quis dar, mais estilo as suas cores
Imaginei ter os tons, no colorido das flores
E assim fui visitar o jardim dos meus amores
Vi no vermelho da rosa, a forte cor da paixão
E o lilás das orquídeas, que abranda o coração
E nem assim consegui, livra-la da alucinação
Decidi em usar o preto, sóbrio e contristado
Calçou bem como uma luva, no meu ego angustiado
Via-se com transparência no meu fado, a sua nudez
Senti-me entristecida, ante a minha pequenez
A tonta alma demente, desconhece a lucidez.


Autora: Pequenina
16/11/07-17:10hs

Música na Voz do: Ribatejano