Contra o vento, eu falo e escrevo
Contra o vento, eu falo do amor e da dor
Ele não ouve, e se vai sem olhar para trás
Em sua ira, revolta-se com os meus ais
Lança-me no rosto os meus medos, meus temores
As marcas das lembranças, os dissabores
Atira-me numa cova sombria, inabitada
Sufocada entre as pedras frias, camuflada
E contra o vento desnudo o pensamento
Sorvo o amargor, n'uma taça de lamento
Que desaba-se aos meus pés, faz-se em ruína
Condenação, punição, fado, ou sina?
Enrodilhada estou, entre os farrapos que restou
Rodeada por espinhos, que a vida me brindou
Trago no peito seus efeitos, que adornam o meu leito
Cândida fui, na evidência de uma inconsciência vã
Presa a uma teia, a qual eu mesma sou a tecelã
Como um animal intuitivo que prevê a morte
Contra o vento eu luto, e lanço-me a sorte
Na casca do tempo, até que a alma a suporte.



Autora: Pequenina
14/11/2007-00:25hs

Música na Voz do: Ribatejano