O
verão chegou, e o sol se foi
Não o vejo, entrar pela janela...
O meu leito vazio, continua húmido
Os lençóis não perdem o cheiro dos
Outonos
Sempre frios e sombrios
As paredes continuam as mesmas
Ausentes, e imparciais
Nada falam, apenas ouvem e se calam
O relógio enlouquecido não pára
Sempre a contar, os segundos e os minutos
De horas, e horas perdidas
Das noites e mais noites, mal dormidas
Irrita-me a sua competência
Em querer reger a minha vida inútil
Marcando o tempo, que importa o tempo?
Se para mim, é sempre o mesmo
Irônico e traiçoeiro
A sorrir das minhas lágrimas
Dos meus devaneios inusitados
Das minhas buscas fracassadas e renegadas
Dos meus medos, e dos meus sonhos ingênuos
É fim de ano, e um novo há de vir
E mais um Outono há de chegar
Secando as folhas, esparramando-as pelo chão
Ou deixando que os fortes ventos, a levem mais além
Mudando apenas de um lugar para outro
Com o mesmo destino traçado
Como a mudança do ano
Muda apenas o calendário...
A vida continua a mesma, sempre na “estaca zero”
Regida pelo relógio, marcando horas e minutos
Contando os restos que sobraram inteiros
Pintados nas paredes frias e sombrias
Destroçadas pelo tempo, tirano e implacável
Que insiste em gargalhar com ironia.

Autora:
Pequenina
25/12/2007
– 03:40h
Música
na Voz do: Ribatejano