Oh luz, que já não brilha em meus olhos
Porque me dás este olhar vago e tristonho
Espelhas o opaco, de uma alma turva
Reflexos de um coração frio, e sombrio
Que como um rio caudaloso chora
Jorrando lágrimas, em meu seio nu
Cai no abismo, e perde-se no fundo
Por entre pedras húmidas, deste infindo mundo
Onde não há salvação; pobres pecadoras
Que habitam nestas termas fétidas
Onde o eco se perde na imensidão da noite
Cegas mariposas, que sequer se rebelam
Pousam no teto de uma gruta insólita
Estremecidas, expondo-se à prova
Á ouvirem o som de uma triste valsa
Como um soneto incauto e medíocre
Desatinadas rodopiam a ermo
Na cegueira que lhes afeta os olhos
Cultivando o pó introduzido em suas entranhas
Fazem a festa, envenenando-se a si mesmas
Cobrem de trevas, as angústias, os seus medos
Na insensatez dos sonhos arraigados
Vastos espinhos albergam seus gemidos
Ferindo-as com tamanha crueldade
Morrem, sem alcançarem a paz desejada
N'um suspiro de sua última jornada...


Autora: Pequenina
11/03/07-01:20hs

Música na Voz do: Ribatejano