Ah, quanto desejo em girar a vida
Recomeçar do ponto de partida
Aos áureos tempos felizes, em que vivi
Entre os recantos do meu Paraty
Boas lembranças guardo-as em mim
Do pôr do sol, a declinar mansinho
Cobrindo d’ouro o Paraty-Mirim.

A beira-mar aportam-se as canoas
Com seu pescado, e os seus pescadores
Abarrotadas vem de popa a proa
Voltam felizes, se a pesca é boa
Um bom motivo p’ra comemorar
Com a “Azulinha” que melhor não há
Mais um regresso, donde o Deus dará.

Depois prosseguem em seu caminhar
Seguindo a trilha, entre as samambaias
Pelas reservas, Tupi-Guaranis
Índios artesãos humildes e gentis
Vivem à pobreza que há neste País
Na Mata Atlântica gorjeia o curió
Com liberdade ao pé do abricó.

As cachoeiras, em seus mistérios mil
Canta a beleza que há neste Brasil
De verde mares, e um céu azul anil...
Nas densas matas ao cair da tarde
Ouve-se o canto do meu sabiá
Lindo e garboso em seu balançar
A ornamentar os galhos do araçá.

Nos arrabaldes ouve-se o miado
Da Jaguatirica, “gato camuflado”
Lindo felino de pêlo mosqueado...
Parei no tempo, e pus-me a perguntar
Porquê afastei-me, deste bom lugar
Porquê deixei-me levar pela enxurrada
Porquê perdi o rumo da estrada.


Autora: Pequenina
15/11/07-01:20hs

Música na Voz do: Ribatejano