Se
alguém a tua porta bater
Olhe bem pelas frestas antes de abrires
Talvez seja o vento...
Ou algum insólito fantasma zonzo
Que solto á prova, pelos beirais passeia
Se ouvires o canto de um pássaro triste
Acuda-o, estará a precisar de ajuda
Esmorecido, cansado de voar o mundo afora
Abrigue-o, até que venha o romper da aurora
Sente frio, por ter as plumas molhadas
Ao arriscar-se ao mau tempo em vão
Fugindo de si mesmo, em solidão
Na lentidão da noite, cai aos trapos
Esfaimado e desolado, de sua fuga inútil
E como uma rameira, atira-se a um qualquer
Caindo numa esparrela, onde estará execrado
Pelo orgulho que em seu peito abriga
Sabe-se lá o que traz no coração
Os seus motivos, a razão
E se um dia eu bater á tua porta
Abra-a, e estenda-me a tua mão…
Não desejo abrigo, nem mesmo o pão
Estou em busca de uma luz na escuridão
Que ilumine o inverno em que me aterro
O acalento, a certeza confiante
No ombro Amigo, o ombro amante.
Autora: Pequenina
07/01/2008-23:10hs
Música na Voz do:
Ribatejano
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