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Que
dirás tu, oh ave tonta, tresloucada
Onde tu fostes abandonar teu doce ninho
Porque abrolhas em vão, os teus ovinhos
Quem sabe vós, não os perdestes no caminho.
Que
dirás tu, oh ave ingrata, sem juízo
Onde estarão os teus filhotes tão novinhos
Se não lhos tem nenhum amor nem afeição
Porque os deixa, assim largados e sozinhos.
Que
dirás tu, oh ave mãe desnaturada
Teus filhos gemem, sentem fome, sentem frio
Falta-lhes amor, falta-lhes o pão, e o agasalho
Enfraquecidos mal se ouve o seu pio.
Que
dirás tu, oh ave louca, e errante
O seu destino é girar mundo, aventureira
Vens de tão longe e logo segues adiante
Vives ao léu, não tens um lar, és viageira.
Que
dirás tu, oh ave alada e andante
Tens tuas asas já feridas, e depenada
Bem mostras estar debilitada e cansada
Lutas com o vento, e por ele és levada.
Que
dirás tu, oh infeliz, oh ave morta
Se não podes mais voar, chegou tua hora
Vais pelo rio a flutuar, rumo ao mar
Onde os abutres fazem a festa, e te devora.

Autora:
Pequenina
09/01/07
Música: Aline
N a Voz de: Fred Sousa "Ribatejano"
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