Livrar-me deste
mau tempo
Buscar no mar um alento
O bálsamo para o sofrimento
O mar estava cinzento
Zangado e violento...
Não dava
pra mergulhar
Tirei as sandálias, despi os pés
E os pus nas águas a banhar
E a lágrima pôs-se a rolar...
Eu mal podia enxergar.
Brigava a areia
com o vento
Com eles, o meu sentimento
Gemia em tom de lamento...
Qual gaivota ferida
Num mar de dores, da vida.
Infeliz e abandonada...
Entre a cruz e a espada
No meio de uma enxurrada
Na praia ao lixo atirada
Sinto que é o fim da jornada.
Não vejo
mais um futuro
No azul de um céu tão escuro
Onde não vejo a candura
Das estrelas que o ilumina
Tão forte é a neblina.
Tão pálida
é a lua cheia
Que entre as nuvens vagueia...
Vagueia a minha alma; alheia
Sozinha, tão impotente
Sem forças, tudo é ausente.
Com certeza
a minha mente
Comigo não foi clemente
Com as mágoas, foi conivente
Parei, pensei em voltar
As pernas estavam a trocar.