Saí para enganar as mágoas
As dores, e os desenganos...
E fui rever o meu mar
Tentava manter-me calma
Para alivio de minha alma.

Livrar-me deste mau tempo
Buscar no mar um alento
O bálsamo para o sofrimento
O mar estava cinzento
Zangado e violento...

Não dava pra mergulhar
Tirei as sandálias, despi os pés
E os pus nas águas a banhar
E a lágrima pôs-se a rolar...
Eu mal podia enxergar.

Brigava a areia com o vento
Com eles, o meu sentimento
Gemia em tom de lamento...
Qual gaivota ferida
Num mar de dores, da vida.

Infeliz e abandonada...
Entre a cruz e a espada
No meio de uma enxurrada
Na praia ao lixo atirada
Sinto que é o fim da jornada.

Não vejo mais um futuro
No azul de um céu tão escuro
Onde não vejo a candura
Das estrelas que o ilumina
Tão forte é a neblina.

Tão pálida é a lua cheia
Que entre as nuvens vagueia...
Vagueia a minha alma; alheia
Sozinha, tão impotente
Sem forças, tudo é ausente.

Com certeza a minha mente
Comigo não foi clemente
Com as mágoas, foi conivente
Parei, pensei em voltar
As pernas estavam a trocar.

Percebi estar cansada
Sentei-me ao pé da enseada...
Muito triste, e atordoada
Senti que ao longo da estrada
A vida me foi malvada...


Autora: Pequenina
22/05/06 - 03:20hs