Seria inútil,
já que não seria ouvido...
Sai correndo, abri as janelas para o sol
Voltei para cama, e embrulhei-me no lençol
Senti-me triste, muito triste; estava só...
Desesperada comecei juntar os fatos
E como louca fui rever os teus retratos.
Em meus guardados
bem lacrados, bem cuidados
Trancafiados, no baú dos meus pecados
Os lindos pôsteres em que tu te encontras nu...
Logo os peguei, e fui devorando um a um...
Admirando, entre o belo e o incomum
Sem artifícios, sem retoques, ao natural
Levei-o ao peito n’uma ânsia irracional.
E o seu sorrir
me excitou, se fez real
Como magia provocou-me o emocional
Mesmo sofrendo, entreguei-me ao ritual
Me deleitei naquele corpo sensual...
E adormeci na vadiagem; quase ao léu
E percebi que o inferno; é o meu céu...