Hoje amor; ao despertar, eu não te vi...
Mas te senti, e procurei manter a calma
Tinha o teu cheiro impregnado em minha alma
Em minha pele, em meu ventre quente e úmido
Estavas ali dentro de mim, bem junto ao fundo
Pus-me a chorar, soltei meu grito, o meu gemido
Mas me travei, não vi motivos pro alarido.

Seria inútil, já que não seria ouvido...
Sai correndo, abri as janelas para o sol
Voltei para cama, e embrulhei-me no lençol
Senti-me triste, muito triste; estava só...
Desesperada comecei juntar os fatos
E como louca fui rever os teus retratos.

Em meus guardados bem lacrados, bem cuidados
Trancafiados, no baú dos meus pecados
Os lindos pôsteres em que tu te encontras nu...
Logo os peguei, e fui devorando um a um...
Admirando, entre o belo e o incomum
Sem artifícios, sem retoques, ao natural
Levei-o ao peito n’uma ânsia irracional.

E o seu sorrir me excitou, se fez real
Como magia provocou-me o emocional
Mesmo sofrendo, entreguei-me ao ritual
Me deleitei naquele corpo sensual...
E adormeci na vadiagem; quase ao léu
E percebi que o inferno; é o meu céu...


Autora: Pequenina
06/03/06
-04:35hs
Música na: "L' Été Indien"
Na Voz de: Fred Sousa "Ribatejano"