Olhando
para o céu, vi que as nuvens vagavam, numa noite
de poucas estrelas, tão longínquas, quase
apagadas, e sem brilho.
Pareciam
pirilampos tristonhos, e desamparados.
De
repente, vejo o vôo de duas majestosas corujas
branquinhas, como loucas, a fazer piruetas em pleno
ar.
Aproveitando
a noite, para liberdade das asas, e lançar seus
pios, que mais parecem gemidos.
E muitos temem o seu canto, dizem ser de mau agouro,
'pura supertição' são tão
lindas, tem a cara com o formato, a de um leão.
Olhos grandes e brilhantes, como duas contas.
Chamam-nas
de 'corujas brancasl' quando em vez pousam na minha
varanda, tontas e abobalhadas, cegas pelas luzes, que
atrapalham a sua visão.
Mas
logo voltarão para o seu clausulo junto a torre
do Convento, onde fazem seus ninhos, e permanecem escondidas
durante o dia, sem que ninguém as veja, parecem
sentinelas da noite.
Sinto-me
tão indefesa, tão carente, tão
fragilizada, que desejaria muito, ser uma daquelas corujas.
Pois
elas possuem asas, podem voar os céus, e os mares,
ir até o infinito, mas não o fazem!
Vivem
a dar pequenas voltinhas, que não as leva a lugar
nenhum.
Isto,
me faz lembrar um 'dito' que a minha mãe sempre
repetiu e repete, 'quando acha que deve'.
'Deus
dá asas, a quem não sabe voar' Nunca havia
me dado conta, destas palavras.
Mas
pensando atentamente, creio que ela não está
certa, e não é o que eu penso.
Sabem
voar, mas não sabem fazer uso de suas asas.
Mas,
ela costuma falar outras coisas, as quais eu discordo,
assim como:
'A
formiga quando quer se perder, cria asas!'
Isto
eu ouvi toda a minha vida, bastava-me querer ir a algum
lugar, que ela discordasse, não precisava dizer
aquele tradicional 'NÃO!' bastavam estas palavras,
e o assunto estava encerrado.
Então
porque; 'Deus deu asas a quem não sabe voar?'
E as formigas, que criam asas, estariam elas, á
querer se perder, ou seria uma tentativa de aumentar
a sua capacidade física, para ir em busca de
algo, que estaria fora do alcance de suas frágeis
perninhas?
Enquanto
isto logo á frente, o rufar dos tambores, o som
do trio elétrico, já estão a levantar
a areia da praia, deixando os pobres peixinhos desatinados,
com tamanho barulho, onde uma grande multidão
se agita.
Gritam e pulam, por conta do Carnaval antecipado.
'O que me traz, tristes lembranças' as quais
eu gostaria de apaga-las de minha memória, mas
que se repete todos os anos, no rufar dos tambores,
nesta minha cidade sem graça.
Estou
eu cá, a admirar, invejar, e a desejar as asas
daquelas duas belas criaturinhas, dando os seus vôos
rasantes, como a brincar de esconder, voam e não
sabem fazer uso, das asas que possuem.
Não
sei se um dia aprenderei a voar...
Ou quem sabe, seria como as formigas, acabaria por me
perder, ou mergulharia de cabeça nas trevas,
com asas e tudo cega e desiludida, com as maldades deste
mundo, cruel e assustador...

Autora:
Pequenina
08/01/04
- 00:45