Vi corujas a
brincar...
Á dar voltinhas no ar...
Beijei a brisa fresquinha...
Que pairava a beira-mar
Contemplei as gaivotas...
Alegres á mergulhar.
Deitei-me
na branca espuma...
Cintilante á beira-mar
A lua surgiu no céu...
Veio o meu corpo pratear
Me penteei num espelho...
De águas puras e cristalina
Nele vi refletir, o renascer...
Doutra menina.
Fiz o meu leito
na praia
Na fina areia branquinha…
Cobri-me com um lençol
Das algas do fundo do mar
No vai e vem das marolas
No balanço da maré...
Resgatei a minha fé.
Olhei o céu
mais de perto...
Viajei pelo universo
Toquei as nuvens macias...
Que pairavam no espaço...
Tatuei a minha alma...
Com as cores do arco-íris...
Soltei a imaginação...
E cantei uma canção.
E ao voltar desta
viagem...
Vi que o sol já despontava
Meio tímido, meio oculto
Um novo dia anunciava
Senti que já era hora...
Eu deveria retornar.
Daí então
ouvi o sino da igreja
A tocar suas badaladas matinais...
Vi que ao meu redor
Tudo estava em seu lugar...
E reconheço que...
Eu que tenho a mudar.
Dentro de mim
há um vazio...
Que luto por preencher...
Mas sei que isto faz parte...
Para quem quer retroceder
Resta-me agora, ajoelhar...
Pôr-me a rezar...
Pedir ajuda ao Bom Mestre...
No que possa me ajudar.